· Lucas Resende · Carreira · 4 min de leitura
Uma Barreira de Entrada Alta é um Diferencial: Por que Decidi Dar um Reset na Carreira na Era da IA
As justificativas nem sempre bastam; o que importa é o impacto real das nossas escolhas. A lógica e a estratégia por trás da minha transição de carreira para a tecnologia.
Às vezes, juntamos o máximo de justificativas para que decisões que tomamos ou queremos tomar façam sentido, mas, no fim, o que importa é o impacto que elas têm de fato.
Estou passando por uma transição de carreira, e noto que uma escolha minha lá atrás se baseou no que eu gostava misturado com o que eu precisava. No entanto, uma vez que aquilo que eu precisava já não era mais necessário, deixou de fazer sentido continuar.
Abaixo, faço um resumo da minha trajetória do Marketing para a Programação e os aprendizados que me trouxeram até aqui.
A resposta estava lá no início
Entre os 10 e 14 anos, o computador era meu principal refúgio. Para além de jogar e me conectar, eu tinha curiosidade em entender como tudo aquilo funcionava. Eu queria criar meus próprios mundos. Conheci o jogo Tibia e, para colocar um servidor público e um site de cadastro no ar, aprendi, sem nem saber nomear:
- Lógica e Programação: O jogo se estruturava em C++, porém eu podia criar implementações novas e mudar seu funcionamento a partir de Lua. Fui compreendendo tudo isso mexendo nos fóruns da época, em português e inglês, traduzindo como pudesse lá em 2012.
- Banco de Dados e Infraestrutura: Para manter o servidor funcional, precisei possibilitar a criação de contas mantendo um servidor web com XAMPP e gerindo dados com MySQL. De primeira parecia estranho, mas descobri que com pesquisa online e paciência era possível resolver qualquer problema. Dali nasceu uma habilidade forte em entender etapas, problemas e soluções.
- Idioma: Como o jogo e a comunidade usavam o inglês, vi a necessidade de compreender o idioma. Com a repetição, os termos foram fazendo sentido e, mais tarde, formalizei o aprendizado em um curso, conquistando nível avançado.
É engraçado perceber como estar num ambiente de testes, de criação de mundos e de busca por soluções desde pequeno me tornou alguém que ama a lógica e a autonomia que ela possibilita.
Mas o caminho é importante
No ensino médio, cursei o técnico em TI na ETEC, onde meu desempenho refletiu essa jornada: tirei nota máxima em praticamente todas as matérias da área. Além disso, foi o momento em que consegui me expressar sem temer a reação dos outros.
Criei um canal no YouTube, aprendi a editar vídeos, passei a compreender o funcionamento das redes e, naturalmente, migrei para a área que une lógica (transformada em estratégia) com criatividade: o Marketing.
Eu gostava dos ingredientes, mas não do produto final.
Fiz faculdade de Marketing, obtive média geral acima de 9, conquistei estágio no primeiro semestre, trabalhei na melhor empresa do ramo dela na minha cidade e concluí um MBA em Marketing Estratégico. Dessa etapa, carrego aprendizados valiosos:
- Visão de Negócio e Planejamento: Compreensão da atuação macro e micro, do papel holístico do marketing e da importância do planejamento fundamentado.
- Soft Skills e Gestão de Pessoas: Perdi o receio da comunicação, aprendi a me conectar com pessoas e a otimizar processos respeitando as individualidades.
- Criação e Produção: Domínio de ferramentas audiovisuais, métricas e análise de dados.
Mesmo focado no Marketing, a tecnologia continuava sendo meu ponto de apoio. Sempre que sobrava tempo, criava soluções tecnológicas para otimizar processos ao meu redor, até notar que meu lugar definitivo era outro.
O ponto de virada
Um pensamento recorrente me questionava: “E se?”. Quanto mais eu evitação esse questionamento, com mais força ele voltava. Chegou o momento em que não fazia mais sentido continuar no mesmo caminho. Se eu tinha as condições para fazer a mudança que tanto pulsava em mim, por que não tentar?
Decidi migrar para a área de Tecnologia. Enfrentei o medo natural do mercado atual, marcado pelo avanço das Inteligências Artificiais e pelas barreiras de entrada para iniciantes. Contudo, a visão de negócios que desenvolvi no Marketing me trouxe uma perspectiva estratégica:
Uma barreira de entrada alta é o maior diferencial competitivo para quem decide atravessá-la.
O mercado atual não busca apenas quem digita código, mas profissionais capazes de conectar lógica de programação com inteligência de negócios, visão de produto e comunicação eficiente. É exatamente nessa interseção que posiciono minha atuação.
Próximos passos
Mesmo após 7 anos sem estudar matérias gerais de vestibular, alcancei o 4º lugar no vestibular da FATEC para o curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas.
Para chegar preparado às aulas, iniciei os estudos no CS50x (Curso de Introdução à Ciência da Computação de Harvard), aplicando uma metodologia de aprendizado ativo com implementação prática e exercícios em linguagem C e Python.
Este portfólio e minhas redes sociais passam a ser meu diário de bordo público. Se você quer acompanhar os bastidores dessa jornada de transição, conecte-se comigo aqui no site e no Instagram @lucasresendev.

